Apontamentos sobre Metodologia, Pesquisa e Ciência – Parte 2

Algumas reminiscências, análises e prospectivas (2)

É necessário, pois, a esse propósito, fazer uma das cousas seguintes: não perder a ocasião de instruir-se, ou procurar aprender por si mesmo, ou então, se não se for capaz nem de uma nem de outra dessas ações, ir buscar em nossas antigas tradições humanas o que houver de melhor e menos contestável, deixando-se assim levar como sobre uma jangada, na qual nos arriscaremos a fazer a travessia da vida, uma vez que não a podemos percorrer, com mais segurança e com menos riscos, sobre um transporte mais sólido: quero dizer, uma revelação divina! – Platão (427-347 a.C.).[1]

O conhecimento, se for preservado e transmitido, pode ser acumulado. Muitos artistas, filósofos e teólogos modernos rejeitam o conhecimento do passado. Assim, eles têm que recomeçar de novo continuamente do zero, sendo sua visão restrita à sua própria perspectiva  estreita, tornando-se artificialmente primitivos. (…) A instrução transmite conhecimento, mas também presume conhecimento. – Gene Edward Veith, Jr.[2]

Visto que somos seres finitos e não podemos enxergar o todo da realidade de uma vez, nossa perspectiva da realidade é necessariamente limitada por nossa finitude. – Norman Geisler; Peter Bocchino.[3]

 

 

1. O Conhecimento

 

O desejo de conhecer

Sobre o conhecimento humano, Aristóteles (384-322 a.C.) declarou algo lapidar: “Todos os homens têm, por natureza, desejo de conhecer”.[4]

Calvino (1509-1564), por sua vez, cria que a possibilidade de aprendizado é comum a todo ser humano. A sua compreensão tinha uma fundamentação teológica: Cada um de nós nasceu com alguma habilidade concedida graciosamente por Deus:

Seguem-se as artes, sejam as liberais, sejam as manuais, aprendendo as quais, visto que certa aptidão nos é inata a todos, também nelas se evidencia o poder da agudeza humana. Mas, ainda que nem todos sejam aptos para aprender todas elas, todavia é marca bastante segura da energia comum o fato de que não se acha quase ninguém em quem não se evidencie proficiência em alguma arte. Nem se encontra à mão somente a energia e capacidade para aprender, mas também para inventar algo novo em cada arte, ou para aperfeiçoar e burilar o que hajas aprendido de outrem que veio antes de ti.  (…) Este bem é tão universal que cada um deve reconhecer nele a peculiar graça de Deus a seu favor.[5]

Comênio (1592-1670), talvez influenciado indiretamente pelo pensamento de Calvino e de Aristóteles,[6] acrescentaria como expressão de fé algo que seria um dos aspectos modeladores de sua Didática: “Nada existe no mundo que o homem, dotado de sentidos e de razão, não consiga aprender”.[7]

A constatação de Aristóteles, é observável desde a infância, quando a criança faz perguntas intermináveis sobre questões para as quais, nós, adultos, há muito iniciados no mundo do saber, nem sempre temos respostas satisfatórias. O fato é que desejamos conhecer. Não necessariamente o que querem nos ensinar e naquele momento específico mas, o conhecimento nos caracteriza como um atestado de nossa vocação sublime.

Essa ignorância consciente – que é fundamental à nossa vocação sublime −, não-conformada: sabedora de si mas, concomitantemente, insatisfeita consigo mesma e, que justamente por isso, busca de forma criativa as soluções, as quais, por sua vez, nos conduzem a novos problemas, é que nos desperta para a procura de novas soluções… Daí, a dialética  – o “equilíbrio dinâmico” –, do saber-ignorância-saber, observada em 1952, por Merleau-Ponty (1908-1961):           “O que caracteriza o filósofo é o movimento que leva incessantemente do saber à ignorância, da ignorância ao saber, e um certo repouso neste movimento”.[8]

É óbvio que para descobrir que não sei preciso saber algo. A ignorância conscientizada nasce do conhecimento percebido. Sei o suficiente para saber que não sei.

 

Criados para conhecer

O desejo de conhecer é um atributo do ser humano. Estou certo de que isso seja um resquício magnífico – ainda que mero resquício −, da nossa condição de imagem de Deus, mesmo que desfigurada.[9]

Deus ao criar o homem e a mulher, os dotou dessa habilidade, os estimulando a desenvolver essa capacidade de observar, diferenciar, classificar, dar nomes. Em síntese, de raciocinar.

Portanto, nesse processo de nomeação, vemos o exercício da inteligência e não arbitrariedade do homem, conforme o Senhor lhe concedera.[10]  E, é digno de menção que nesse pioneiro trabalho científico, havia, sem dúvida, limitações humanas, mas, não o pecado. Tudo o que é criado tem limitações próprias da sua condição.

O homem percebia a essência da coisa, criando, assim, uma linguagem derivada a partir de suas definições, decorrente do que aprendera de Deus.[11] Tinha clareza, discernimento e unidade de pensamento incomparáveis. O homem, criado como ser moral, podia conhecer, raciocinar, escolher e decidir. Isso é magnífico.

 

Tentação e queda: A imagem parcialmente perdida

A queda trouxe consequências desastrosas à imagem de Deus refletida no homem. A imagem foi corrompida.[12] O homem alienou-se de sua identidade divina original. No entanto, homem e mulher continuam sendo imagem e semelhança de Deus (aspecto metafísico).[13]

Mas, o pecado acarretou a perda do aspecto ético da imagem de Deus.[14] A nossa vontade, como agente de nosso intelecto,[15] agora, é oposta à vontade de Deus. O propósito divino de santidade para nós foi contraposto pelo desejo pecaminoso do homem de seguir seu próprio caminho à revelia de Deus e de seus mandamentos. A vontade humana, tornou-se totalmente avessa à vontade de Deus.[16]

A imagem que agora refletimos estampa mais propriamente o caráter de satanás.[17] O homem está eticamente sob o domínio dele.[18]

 

Queda e conhecimento perdido

Sem dúvida, perdemos muito disso com a queda.[19] Contudo, o pecado que nos incapacitou espiritualmente, não impossibilitou o nosso conhecimento. Deus foi misericordioso conosco; não aplicou imediatamente a pena condenatória no seu sentido cabal. Tornamo-nos um ser-para-a-morte mas, não morremos fisicamente de modo imediato, ainda que espiritualmente sim. A promessa de misericórdia emana do Senhor do  Paraíso agora perdido para nós. (Gn 3.15/Rm 16.20).

Assim, na questão do conhecimento, o que parece que perdemos, é a capacidade de unificá-lo, constituindo uma síntese que aponte para Deus como autor de todo saber. Desse modo, podemos ter muitos conhecimentos fragmentados, o que está longe de ser irrelevante, porém, não conseguimos elaborá-los e relacioná-los num grande sistema coerente e consistente que tenha Deus como Senhor e autor de todas as coisas.

Um dos aspectos fundamentais na tentação de Adão e Eva não foi justamente o desejo de conhecer além do que lhes seria permitido? Adão e Eva desejaram a autonomia. A partir daqui esse pensamento ilusório  vigorará em toda raça humana caída: a sabedoria tem como pressuposto a autonomia. Ter um conhecimento independente e independentemente de Deus.[20] Ser iguais a Deus: Autossuficientes.[21]

Satanás lhes ofereceu uma cosmovisão concorrente onde o ponto de referência não era mais Deus, mas, a divinização do desejo pessoal deles, distante da proposta santa de Deus.[22]

Agora, após a queda, o nosso conhecimento, além da nossa condição criatural, é contaminado e distorcido pelo pecado. E é nessa condição que podemos conhecer: como criaturas pecaminosas (Sl 115.16). Mesmo assim, pela graça de Deus podemos ter um conhecimento adequado mas,[23] somente pela Graça Especial de Deus podemos encontrar o sentido da realidade que só pode entendido em Deus. Fora de Deus, nada em última instância faz sentido.

 

Conhecimento e sentido

Você pode adquirir informações mas, mesmo elas sendo corretas, nada acrescentam nos momentos extremos da vida, como pontua McGrath:

Por que alguém na iminência de cometer suicídio abaixaria o revólver ao ouvir que o total é maior do que a parte ou jogaria fora o cianeto na pia ao ouvir que 2 + 2 = 4? Essas afirmações podem estar de acordo com os fatos. Elas são, contudo, existencialmente insignificantes, nada tendo a dizer sobre as questões mais profundas da mente humana ou dos anelos do coração humano.[24]

Em outro lugar, continua o autor:

Muitos consideram intolerável o pensamento de um mundo sem sentido. Se não há sentido, então não há nenhum propósito na vida. Vivemos em uma época na qual o crescimento da internet tornou mais fácil que nunca a ter acesso à informação e acumular conhecimento. Mas informação não é a mesma coisa que sentido, e conhecimento não é a mesma coisa que sabedoria. Muitos se sentem engolidos por um tsunami de fatos no qual não conseguem encontrar sentido.[25]

 

 

Rev. Hermisten Maia Pereira da Costa.

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[1] (Platão, Fédon, São Paulo: Abril Cultural (Os Pensadores, v. 3), 1972, 85c-d, p. 97.

[2] Gene Edward Veith, Jr., De Todo o Teu Entendimento, São Paulo: Cultura Cristã, 2006, p. 26.

[3]Norman Geisler; Peter Bocchino,  Fundamentos Inabaláveis: resposta aos maiores questionamentos contemporâneos sobre a fé cristã, São Paulo: Vida Nova, 2003, p. 50.

[4]Aristóteles, Metafísica, São Paulo: Abril Cultural, (Os Pensadores, v. 4), 1973, I.1. p. 211.

[5] João Calvino, As Institutas, (2006), II.2.14.

[6] João  Amós Comênio  (Comenius) (1592-1670), natural de Nivnitz, Morávia, foi batizado com este nome em homenagem ao pré-reformador João Huss (c. 1369-1415) e iniciador da Igreja Morávia (Irmãos Unidos). Aquele que seria conhecido como “Pai da Didática Moderna”, –  teve uma vida difícil: órfão aos 12 anos perdendo também suas duas irmãs (1604), foi acolhido por uma tia paterna.

Mesmo seus pais tendo-lhe deixado uma boa herança, ela foi dissipada devido à má administração de seus tutores. Neste período pôde estudar na escola dos Irmãos Unidos em Stranznice (1604-1605). Somente aos 16 anos (1608) é que entrou para a escola latina de Prerau (Prerov). Em 30/03/1611 ingressou na Universidade de Herborn, em Nassau, um dos centros de difusão da fé calvinista (Cf. Wojciech A. Kulesza, Comenius: a persistência da utopia em educação, Campinas, SP.: Editora da UNICAMP., 1992, p. 26), sendo aluno do teólogo calvinista Johann H. Alsted (1588-1638) que também fora influenciado pelo pensamento de Aristóteles. (Alsted foi o representante da Igreja de Nassau no Sínodo de Dort (1618-1619), o editor alemão da obra de Giordano Bruno e um dos mais competentes professores de teologia e filosofia da época. Monroe (1863-1939) diz que Alsted exerceu profunda influência sobre Comênio (Ver: Will S. Monroe, Comenius and the Beginnings of Educational Reform, London: William Heinemann, 1900, p. 42-43. Do mesmo modo, veja-se: https://sapientia.pucsp.br/bitstream/handle/13267/1/Catarina%20Justus%20Fischer.pdf  (Consultado em 18.10.2023).

Comênio foi também influenciado pela leitura das obras do teólogo e pedagogo luterano Johann Valentin Andreä (1586-1654), de quem se tornou correspondente e amigo. (Cf. Ruy Afonso da C. Nunes, História da Educação no Século XVII, São Paulo: EPU; EDUSP, 1981, p. 42-44; Salomon Bluhm, Johann Amos Comenius: In: Lee C. Deighton, editor-in chief. The Encyclopedia of Education, (s. cidade), The Macmillan Company & The Free Press, 1971, v. 2, p. 301-302; N. Abbagnano; A. Visalberghi, Historia de la Pedagogía, Novena reimpresión, México:  Fondo de Cultura Económica, 1990, p. 301-302;http://emlo-portal.bodleian.ox.ac.uk/collections/?catalogue=johann-valentin-andreae (Consulta feita em 18.10.2023). Comênio mantinha intensa correspondência com intelectuais da época (Ver: Will S. Monroe, Comenius and the Beginnings of Educational Reform, London: William Heinemann, 1900, p. 48).

Em 13/06/1613 foi admitido na Universidade de Heidelberg (Alemanha), onde estudou teologia. Aqui também havia forte influência calvinista.

[7]J.A. Coménio, Didáctica Magna, 3. ed. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian, [1985], V, p. 105.

[8] M. Merleau-Ponty, Elogio da Filosofia, 2. ed. Lisboa: Guimarães Editores, (1979), p. 11.

[9] Veja-se: Alvin Plantinga, Ciência, Religião e Naturalismo: onde está o conflito?  São Paulo: Vida Nova, 2018, p. 240.

[10] É muito interessante a abordagem desse exercício de Adão analisado pelo campo da semiótica. Veja-se: Umberto Eco, A Busca da Língua Perfeita na Cultura Europeia, 2. ed. Bauru, SP.: EDUSC, 2002, p. 25ss.

[11] “A linguagem é a primeira tentativa do homem para articular o mundo de suas percepções sensoriais. Esta tendência é uma das características fundamentais da linguagem humana” (Ernst Cassirer, Antropologia Filosófica, 2.  ed. São Paulo: Mestre Jou, 1977, p. 328).

[12]Vejam-se: João Calvino, As Institutas, I.15.4; II.1.5; Juan Calvino, Breve Instruccion Cristiana, Barcelona: Fundación Editorial de Literatura Reformada, 1966, p. 13; João Calvino, Efésios, (Ef 4.24), p. 142; João Calvino, O Livro dos Salmos, São Paulo: Paracletos, 1999, v. 1, (Sl 8.5), p. 169; v. 2, (Sl 62.9), p. 579.

[13]Podemos também chamar de aspecto “lato”, “estrutural” ou “formal”. (Para uma visão panorâmica do uso destes termos, veja-se: Anthony A. Hoekema, Criados à Imagem de Deus, São Paulo: Editora Cultura Cristã, 1999, p. 84-88,101).

[14]Podemos também denominar de aspecto “estrito”, “funcional” ou “material”. (Para uma visão panorâmica do uso destes termos, veja-se: Anthony A. Hoekema, Criados à Imagem de Deus, São Paulo: Editora Cultura Cristã, 1999, p. 84-88,101). “Ele é a criatura que, inicialmente, foi criada à imagem e semelhança de Deus, e essa origem divina e essa marca divina nenhum erro pode destruir. Contudo ele perdeu, por causa do pecado, os gloriosos atributos de conhecimento, justiça e santidade que estavam contidos na imagem de Deus. Todavia, esses atributos ainda estão presentes em ‘pequenas reservas’ remanescentes da sua criação; essas reservas são suficientes não somente para torná-lo culpado, mas também para dar testemunho de sua primeira grandeza e lembrá-lo continuamente de seu chamado divino e de seu destino celestial” (Herman Bavinck, Teologia Sistemática, Santa Bárbara d’Oeste, SP.: SOCEP., 2001, p. 17-18). Vejam-se: João Calvino, O Livro dos Salmos, São Paulo: Paracletos, 1999, v. 2, (Sl 51.5), p. 431-432; John Calvin, Commentaries on the Epistle of James, Grand Rapids, Michigan: Baker Book House Company, 1996, (Calvin’s Commentaries, v. 22), (Tg 3.9), p. 323; As Institutas, I.15.8; II.2.26,27; Hermisten M.P. Costa, João Calvino 500 anos: introdução ao seu pensamento e obra, São Paulo: Cultura Cristã, 2009, p. 211ss.; W. Gary Crampton; Richard E. Bacon, Em Direção a uma Cosmovisão Cristã, Brasília, DF.: Monergismo, 2010, p. 27; Herman Dooyeweerd, No Crepúsculo do Pensamento, São Paulo: Hagnos, 2010, p. 260-261; François Turretini, Compêndio de Teologia Apologética, São Paulo: Cultura Cristã, 2011, v. 1, p. 591; Emil Brunner, Dogmática: A Doutrina Cristã da Criação e da Redenção, São Paulo: Fonte Editorial, 2006, v. 2, p. 88; Cornelius Van Til, Epistemologia Reformada, Natal, RN.: Nadere Reformatie Publicações, 2020, p. 30, E-book  Posição  448 de 715.

[15]Ver: James M. Boice, O Evangelho da Graça, São Paulo: Cultura Cristã, 2003, p. 111. Agostinho (354-430), comentando o Salmo 148, faz uma analogia muito interessante: “Como nossos ouvidos captam nossas palavras, os ouvidos de Deus captam nossos pensamentos. Não é possível agir mal quem tem bons pensamentos. Pois as ações procedem do pensamento. Ninguém pode fazer alguma coisa, ou mover os membros para fazer algo, se primeiro não preceder uma ordem de seu pensamento, como do interior do palácio, qualquer coisa que o imperador ordenar, emana para todo o império romano; tudo o que se realiza por meio das províncias. Quanto movimento se faz somente a uma ordem do imperador, sentado lá dentro? Ao falar, ele move somente os lábios; mas move-se toda a província, ao se executar o que ele fala. Assim também em cada homem, o imperador acha-se no seu íntimo, senta-se em seu coração; se é bem e ordena coisas boas, elas se fazem; se é mau, e ordena o mal, o mal se faz” (Agostinho, Comentário aos Salmos, São Paulo: Paulus, (Patrística, 93), 1998, v. 3, (Sl 148.1-2), p. 1126-1127).

[16]A Confissão de Westminster (1647), capítulo IV, seção 2, declara: “Depois de haver feito as outras criaturas, Deus criou o homem, macho e fêmea, com almas racionais e imortais, e dotou-os de inteligência, retidão e perfeita santidade, segundo a sua própria imagem, tendo a lei de Deus escrita em seus corações e o poder de cumpri-la, mas com a possibilidade de transgredi-la, sendo deixados à liberdade de sua própria vontade, que era mutável. Além dessa escrita em seus corações receberam o preceito de não comerem da árvore da ciência do bem e do mal; enquanto obedeceram a este preceito, foram felizes em sua comunhão com Deus e tiveram domínio sobre as criaturas”. (Veja-se: João Calvino, Exposição de Romanos, São Paulo: Paracletos, 1997, (Rm 8.7), p. 267).

[17]“Moral e espiritualmente, o caráter do homem estampa a imagem de Satanás, e não a de Deus. Ora, é precisamente isso o que a Bíblia quer dizer quando fala sobre o homem caído no pecado como ‘filho do diabo’. (Jo 8.44; Mt 13.38; At 13.10 e 1Jo 3.8)” (J.I. Packer, Vocábulos de Deus, São José dos Campos, SP.: Fiel, 1994, p. 67). “Tampouco é absurdo dizer que a imagem em parte se perdeu e em parte se conservou, e que no mesmo sujeito há a imagem de Deus e a do diabo em diferentes aspectos” (François Turretini, Compêndio de Teologia Apologética, São Paulo: Cultura Cristã, 2011, v. 1, p. 588).

[18]Cf. Herman Bavinck, Dogmática Reformada, São Paulo: Cultura Cristã, 2012, v. 3, 190.

[19] Cf. Abraham Kuyper,  Sabedoria & Prodígios: Graça comum na ciência e na arte,  Brasília, DF.: Monergismo, 2018, p. 47-62.

[20] “A serpente estava tentando fazer com que Eva adotasse uma sabedoria autônoma, isto é, sabedoria que já não dependeria de Deus como sua fonte. Em lugar de a admiração por Deus produzir nela uma submissão à sábia vontade dele, a admiração pela sabedoria independente produziu nela rebeldia conta a vontade de Deus” (P. Tripp, Admiração, São Paulo: Cultura Cristã, 2017, p. 74).  “A essência do pecado dos nossos primeiros pais é que eles queiram ter uma existência autônoma e independente, não mais dependendo ‘de toda palavra que procede da boca de Deus’ (Mt 4.4). De fato, essa referência foi tomada da tentação de Jesus pela serpente no deserto, em que ele desfaz a transgressão de Adão respondendo a ela da maneira correta” (Michael Horton, Doutrinas da fé cristã, São Paulo: Cultura Cristã, 2016, p. 59).

[21] Tillich (1886-1965), assim define este conceito: “Representa a vida humana vivida segundo a lei da razão em todos os aspectos da atividade espiritual (…). Para os indivíduos, autonomia é a coragem de pensar; coragem de se valer dos próprios poderes racionais (Paul Tillich, Perspectivas da Teologia Protestante nos Séculos XIX e XX, São Paulo: ASTE, 1986, p. 48).

[22] Veja-se: R.K. Mc Gregor Wright, A Soberania Banida, São Paulo: Cultura Cristã, 1998, p. 248. Após a queda, “a criação não se tornou má, mas tornou-se o campo de batalha entre o bem e o mal. Ela carrega as cicatrizes do pecado (e o pecado sempre deixa cicatrizes). Na ocasião, a estratégia de Satanás era tornar o mundo de Deus o seu mundo — apossar-se do bom mundo de Deus. Satanás trabalha para transformar o mundo de Deus à sua imagem. Ele trabalha para convencer o homem de que o mundo de Deus é estranho, bizarro, desagradável, desafeiçoado ou entediante. Esse foi justamente o seu apelo para Eva em Gênesis 3: “Eva, venha viver no meu mundo. Deus não deseja o melhor para vocês. Deus não os deixou comer esta fruta deliciosa. Em meu mundo, vocês podem comê-la. Deus não quer que vocês saibam tudo o que ele sabe. Em meu mundo, deixarei que vocês saibam todas as coisas. Deus mentiu para vocês. Mas estou lhes dizendo como as coisas realmente são”. Satanás está propondo não apenas que Adão e Eva desobedeçam; não está simplesmente convidando o homem a rebelar-se. Satanás está oferecendo-lhes um mundo completamente diferente. Está oferecendo-lhes uma realidade diferente. Todos sabemos que aquilo que nos cerca tende a tornar-se normal para nós” (P. Andrew Sandlin, Deus decide o que é normal, Brasília, DF.: Monergismo, 2021 (Edição do Kindle), p. 9. Posição 144-1880).

[23]“Os céus são os céus do SENHOR, mas a terra, deu-a ele aos filhos dos homens” (Sl 115.16).

[24] Alister McGrath,  A Fé e os credos, São Paulo: Cultura Cristã, 2017, p. 14-15.

[25]Alister E. McGrath, Surpreendido pelo sentido: ciência, fé e o sentido das coisas, São Paulo: Hagnos, 2015, p. 10-11.

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