Tentando pensar e viver como um Reformado: Reflexões de um estrangeiro residente – Parte 31

b) A Perspectiva de Calvino

A liberdade está na obediência ao nosso chamado. ‒ Charles Colson; Harold Fickett.[1]

Que tragédia quando grande quantidade dos homens de um país procura cargos, em lugar de vocações. ‒ John Mackay (1889-1983).[2]

Não nos cabe aqui analisar a história da filosofia do trabalho, contudo devemos mencionar que a Reforma resgatou o conceito cristão de trabalho, fazendo uma crítica fundamental à concepção monástica medieval, eliminando, por exemplo, a distinção entre vida activa representada por Marta e a vida contemplativa representada por Maria (Lc 10.38-42),[3] sendo este o modelo do caminho monástico.[4]

Biéler resume:

Calvino, fundamentando-se nas Escrituras, é um dos raros teólogos a pôr em evidência, com tanta clareza, a participação do trabalho do homem na obra de Deus. Dessarte, conferiu ele ao labor humano dignidade e valor espirituais que jamais teve na Escolástica, nem, por mais forte razão, na antiguidade. Este fato terá grandes repercussões no desenvolvimento econômico das sociedades calvinistas.[5]

Na ética do trabalho, Lutero (1483-1546) e Calvino (1509-1564) estavam acordes quanto à responsabilidade do homem de cumprir a sua vocação por meio do trabalho. Não há lugar para ociosidade.

Calvino escreveu:

Quando quis Deus, escreve Calvino, que o homem se aplicasse a cultivar a terra, na pessoa do homem condenou Deus a ociosidade e a indolência. Portanto, nada é mais contrária a ordem da natureza, que consumir a vida comendo, bebendo, e dormindo.[6]

Com isto, não se quer dizer que o homem deve ser um ansioso ativista, mas que o trabalho é uma dádiva de Deus por meio da qual podemos glorificar ao nosso Criador. Lutero teve uma influência decisiva, quando traduziu para o alemão o Novo Testamento (1522), empregando a palavra “beruf” para trabalho, em lugar de “arbeit” (palavra derivada do latim arvus,[7] terreno arável).

“Beruf” – com toda a dificuldade de encontrar um equivalente em nossa língua – acentua mais o aspecto da vocação do que o do trabalho propriamente dito. As traduções posteriores, inglesas e francesas, tenderam a seguir o exemplo de Lutero. A ideia que se fortaleceu, é a de que o trabalho é uma vocação divina.[8]

Como vimos, Calvino ensina com firmeza: “Se seguirmos fielmente nosso chamamento divino, receberemos o consolo de saber que não há trabalho insignificante ou nojento que não seja verdadeiramente respeitado e importante ante os olhos de Deus”.[9]

Em outro lugar, combatendo a interpretação clerical medieval que estimulava à ociosidade e especulações inúteis, diz:

É um erro que aqueles que fogem dos afazeres do mundo e engajem-se em contemplação estão vivendo uma vida angelical. (…) Sabemos que os homens foram criados para ocuparem-se com o trabalho e que nenhum sacrifício é mais agradável a Deus do que quando cada um atende ao seu chamado e procura viver completamente em prol do bem comum.[10]

O amor ao próximo faz com que o nosso honesto trabalho não se limite a satisfazer as nossas necessidades, mas também, a ajudar os nossos irmãos. Explica Calvino: “O amor nos leva a fazer muito mais. Ninguém pode viver exclusivamente para si mesmo e negligenciar o próximo. Todos nós temos de devotar-nos à ação de suprir as necessidades do próximo”.[11]

Entende que “a indolência e a inatividade são amaldiçoadas por Deus”.[12]

Em outro lugar:

Moisés acrescenta agora que a terra foi outorgada ao homem com esta condição: que se ocupasse em cultivá-la de onde se segue que foram os homens criados para empregar-se em fazer alguma coisa e não para estarem ociosos e indolentes. Verdade é que esse labor era bem alegre e agradável, longe de todo aborrecimento e cansaço. Todavia, quando Deus quis que o homem se afizesse a cultivar a terra, na pessoa dele, condenou todo repouso indolente.[13]

Porém, a graça de Deus atenua a severidade de punição, anexando ao labor humano uma dose de satisfação que deveria caracterizar primariamente o trabalho.[14]

Além disso, o trabalho está relacionado com o progresso de toda a raça humana, logo, a um crescimento sustentável que propicie o bem comum:

Há modos diferentes de se trabalhar. Para quem ajuda a sociedade dos homens pela indústria, ou regendo sua família, ou na administração pública ou em negócios privados, ou aconselhando, ou ensinando ou de qualquer outra maneira, não será considerado entre os inativos. Paulo censura aqueles zangões preguiçosos que querem viver pelo suor dos outros, não contribuindo assim com nenhum serviço em comum para ajudar a raça humana.[15]

Pregando em Efésios, Calvino instrui à igreja e, apresenta uma palavra especial aos pais:

Atente cada um com diligência para consigo, e os pais, querendo dirigir os filhos a quaisquer empregos, não tenham esse costume a que se têm habituado de dizer: Qual profissão será a mais rendosa? Antes, estes dois aspectos se conjuguem, isto é, quando houver considerado em que é que meu filho poderá ganhar a vida e, quando estiver casado, como proverá para si e sua família? Que sirva ao próximo e o uso de sua arte e de sua profissão redunde no proveito comum de todos.[16]

Assim, pois, por essa razão, impõe-nos ter sempre diante dos olhos que, em qualquer estado que vivamos, é necessário que Deus marche adiante, como se a si nos chamasse e nós seguíssemos o caminho que por sua Palavra nos mostra. Certo é que jamais profissão alguma será dele aprovada se não for útil, e se o público não for dela servido, e se também não redundar em proveito de todos.[17]

O ganho ilícito, por meio do qual o patrimônio de nosso próximo é arruinado, é, na realidade – independentemente do nome que se dê, já que o ser humano é pródigo em adjetivar a maldade com termos nobres – não um sinal de inteligência, mas, de iniquidade: é, portanto, uma forma de furto.[18]

Mais tarde, o teólogo genebrino Turretini (1623-1687), interpretando o pensamento de Calvino diria que receber salário por um trabalho mal feito é uma forma de roubo.[19] Portanto, retornando ao próprio Calvino, “não se deve fazer um uso pervertido dos labores que outras pessoas empreendem em seu próprio benefício”.[20]

Ainda que o dinheiro emprestado a juros seja permitido[21] ‒ prática tão comum na Europa há muitos séculos antes de Calvino[22] ‒ o trabalho honesto, fruto do nosso labor é que deve ser a fonte de recursos para a manutenção de nossa família. Também, a piedade não ser esquecida em todas as nossas transações. Portanto, não devemos nos aproveitar das necessidades alheias, vivendo, simplesmente, de transações financeiras. Um princípio justo é que em todas as negociações, haja benefícios para ambas as partes.

Fazendo uma digressão, observamos que no Salmo 15 o salmista faz uma pergunta sobre habitar na Casa do Senhor e, antes mesmo que possamos tentar esboçar uma resposta, ele apresenta uma série de requisitos. Aliás, deve ser dito que a pergunta não se dirige a nós, mas a Deus. A resposta mais completa já fora dada pelo Senhor na sua Lei.[23] Portanto, a resposta é uma forma de destacar aspectos da Lei a fim de serem atualizados em nossas mentes e corações.

Inclino-me a pensar que esse Salmo, mais do que algo apenas litúrgico;[24] um preparativo para entrar no Santuário,[25] descreve um solilóquio, tendo como pano de fundo a Lei de Deus onde salmista alegre e, ao mesmo tempo, compenetrado, indaga a respeito dessa habitação, ou seja, dessa comunhão com Deus e, à luz da própria Lei de Deus, apresenta a resposta.

Os princípios éticos aqui descritos positiva e negativamente – longe de serem completos ou meritórios ‒ são atinentes àqueles que já foram regenerados, integrando a família da fé.[26] Logo, aqui não se está tratando da doutrina da justificação.[27] Nesse Salmo temos uma descrição de nossa impossibilidade de cumprir as exigências divinas e, ao mesmo tempo, de nossa responsabilidade como filhos da Aliança. Por isso, as instruções ao invés de serem apenas ritualísticas, demandam um exame de consciência.[28] “O primeiro fato que nos chama a atenção é que num cântico destinado ao culto não se faz nenhuma menção de coisas cúlticas, como sacrifícios, ofertas, ritos de purificação, mas só de exigências morais. Toda a ênfase recai nesses requisitos. É da essência do culto da aliança que a ‘obediência’ é mais importante que os sacrifícios”.[29]

Especificando as exigências divinas, escreve o salmista: “O que não empresta o seu dinheiro com usura (%v,n<)(neshek) (= interesse, morder,[30] mastigar[31])” (Sl 15.5).

Nessa passagem, o que se tem em vista, ao que parece, é a cobrança extorsiva sobre o bem emprestado. Ou, cobrar juros do que não deveria ser cobrado.[32]

Devemos nos lembrar de que o empréstimo dentro da visão bíblica, não fazia parte simplesmente da esfera financeira. O fator econômico não era o elemento determinante, nem autônomo, antes, refletia valores teológicos e espirituais.

Assim, o empréstimo dentro do princípio bíblico e teológico, envolvia também uma perspectiva social: aliviar a pobreza.[33] “Os que afirmam estar em uma relação de pacto com Deus têm a obrigação moral de evitar práticas exploratórias, refletindo a compaixão divina, mostrar bondade para com os companheiros menos afortunados e proteger o direito do pobre quanto às necessidades básicas da vida”, interpreta Wakely.[34]

O princípio estabelecido na Lei não obrigava o cidadão a emprestar seu dinheiro, contudo ao emprestar, havia condições básicas contra a usura, inclusive, no que diz respeito à prática permitida do penhor: “Se emprestares dinheiro ao meu povo, ao pobre que está contigo, não te haverás com ele como credor (hv’n”) (nashah) que impõe juros (%v,n<)(neshek)(Êx 22.25/Lv 25.36-37//Dt 24.6,10-13).

O princípio não se restringia ao dinheiro: “A teu irmão não emprestarás com juros (%v,n<) (neshek), seja dinheiro, seja comida ou qualquer coisa que é costume se emprestar com juros  (neshek) (Dt 23.19).

Ao estrangeiro poderia ser emprestado com juros: “Ao estrangeiro emprestarás com juros (%v,n<) (neshek), porém a teu irmão não emprestarás com juros (%v,n<)(neshek), para que o Senhor, teu Deus, te abençoe em todos os teus empreendimentos na terra a qual passas a possuir” (Dt 23.20).

Se considerarmos que esse preceito visa apenas equilibrar as relações comerciais, fica mais fácil entendê-lo. O estrangeiro cobrava juros naturalmente. Dessa forma, para que houvesse um equilíbrio econômico, era permitido ao judeu cobrar juros de tais pessoas.[35]

Não devemos nos esquecer de que a prática de juros era comum na Antiguidade sendo que os juros praticados eram altíssimos, chegando a 50% ao ano.[36] À luz do Antigo Testamento, os juros cobrados aos estrangeiros certamente não seriam extorsivos visto que isso quebraria os próprios princípios da Lei. Além disso, os credores não deveriam cobrar juros adicionais no pagamento da dívida, o que inviabilizaria a sua quitação.[37] É possível que os juros praticados em Israel após o cativeiro não passasse de 1% ao mês (Ne 5.11),[38] contudo temos dificuldades com o texto e a sua melhor tradução.[39]

Quando Deus fala sobre a responsabilidade de cada um perante Ele, ilustra alguns comportamentos que deveriam ser rejeitados devido à pecaminosidade de tais atos. O povo de Judá, por exemplo, no cativeiro, estava colhendo os frutos de seus próprios pecados.

Entre os preceitos de Deus que foram quebrados, lemos: “Não dando o seu dinheiro à usura (%v,n<) (neshek), não recebendo juros (tyBir>T) (tarbiyth) (= acréscimo, aumento),[40] desviando a sua mão da injustiça e fazendo verdadeiro juízo entre homem e homem” (Ez 18.8).

Mais à frente:

Emprestar com usura (neshek) e receber juros (tyBir>T) (tarbiyth), porventura, viverá? Não viverá. Todas estas abominações ele fez e será morto; o seu sangue será sobre ele. (Ez 18.13).

No meio de ti, aceitam subornos (dx;v;) (shachad)[41] para se derramar sangue; usura (%v,n<)(neshek) e lucros (tyBir>T) (tarbiyth) (= acréscimo, aumento) tomaste, extorquindo-o; exploraste o teu próximo com extorsão; mas de mim te esqueceste, diz o Senhor Deus. (Ez 22.12).

Quem tais coisas praticam não será abençoado por Deus. A sua riqueza será agregada ao que acode misericordiosamente o necessitado: “O que aumenta os seus bens com juros (%v,n<)(neshek) e ganância (tyBir>T) (tarbiyth) ajunta-os para o que se compadece do pobre” (Pv 28.8). “Quem se compadece do pobre ao Senhor empresta, e este lhe paga o seu benefício” (Pv 19.17).

Há uma relação gramatical entre a atitude do agiota e o agir com impiedade e falsamente.[42]

Fisher, seguindo Speiser (1902-1965),[43] comenta que na prática antiga de empréstimos, “descontavam-se os juros normais e que a ‘usura’ consistia numa segunda taxa de juros cobrada depois que o devedor inadimplente era preso como escravo”.[44]

Comentando o Salmo 15.5, Calvino faz uma longa explanação sobre isso:

Neste versículo Davi prescreve aos santos a não oprimirem seu próximo com usura, nem a forçá-lo a aceitar suborno em favor de causas injustas. (…) Lembremo-nos, pois, de que toda e qualquer barganha em que uma parte injustamente se empenha por angariar lucro em prejuízo da outra parte, seja que nome lhe damos, é aqui condenada. (…) Aconselharia a meus leitores a se precaverem de engenhosamente inventar pretextos, pelos quais tirem proveito de seus semelhantes, e para que não imaginem que qualquer coisa pode ser-lhes lícita, quando para outros é grave e prejudicial.

Com respeito à usura, é raríssimo encontrar no mundo um usurário que não seja ao mesmo tempo um extorquidor e viciado ao lucro ilícito e desonroso. Consequentemente, Cato desde outrora corretamente colocava a prática da usura e o homicídio na mesma categoria de criminalidade, pois o objetivo dessa classe de pessoas é sugar o sangue de outras pessoas. É também algo muito estranho e deprimente que, enquanto todos os demais homens obtêm sua subsistência por meio do trabalho, enquanto os cônjuges se fatigam em suas ocupações diárias e os operários servem à comunidade com o suor de sua fronte, e os mercadores não só se empenham em variados labores, mas também se expõem a muitas inconveniências e perigos – os agiotas se deixam levar por vida fácil sem fazer coisa alguma, recebendo tributo do labor de todas as outras pessoas. Além disso, sabemos que, geralmente, não são os ricos que são empobrecidos por sua usura, e, sim, os pobres, precisamente quem deveria ser aliviado.[45]

 

Rev. Hermisten Maia Pereira da Costa

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[1]Charles Colson; Harold Fickett, Uma boa vida, São Paulo: Cultura Cristã, 2008, p. 41.

[2] John A. Mackay, O Sentido da Vida, 2. ed. São Paulo: Imprensa Metodista, 1971, p. 27.

[3]38 Indo eles de caminho, entrou Jesus num povoado. E certa mulher, chamada Marta, hospedou-o na sua casa.39 Tinha ela uma irmã, chamada Maria, e esta quedava-se assentada aos pés do Senhor a ouvir-lhe os ensinamentos. 40 Marta agitava-se de um lado para outro, ocupada em muitos serviços. Então, se aproximou de Jesus e disse: Senhor, não te importas de que minha irmã tenha deixado que eu fique a servir sozinha? Ordena-lhe, pois, que venha ajudar-me. 41 Respondeu-lhe o Senhor: Marta! Marta! Andas inquieta e te preocupas com muitas coisas. 42 Entretanto, pouco é necessário ou mesmo uma só coisa; Maria, pois, escolheu a boa parte, e esta não lhe será tirada” (Lc 10.38-42).

[4] Cf. Ulrich H. J. Körtner, Calvinisme et Capitalisme: In: Martin E. Hirzel; Martin Sallmann, eds., Calvin et le Calvinisme, Genève: Labor et Fides, 2008, p. 252.

[5]André Biéler, O Pensamento Econômico e Social de Calvino, São Paulo: Casa Editora Presbiteriana, 1990, p. 538-539.

[6]John Calvin, Commentaries on The First Book of Moses Called Genesis, Grand Rapids, Michigan: Eerdmans Publishing Co., 1996 (Reprinted), v. 1, (Gn 2.15), p. 125.

[7] Arvus significa “arável”. Arvum significa “terra lavrada”, “campo”, “terreno”

[8]Vejam-se, Max Weber, A Ética Protestante e o Espírito do Capitalismo, p. 52 (e notas correspondentes); André Biéler, O Pensamento Econômico e Social de Calvino, São Paulo: Casa Editora Presbiteriana, 1990, p. 628; Sérgio Buarque de Holanda, Raízes do Brasil, 21. ed. Rio de Janeiro: José Olympio Editora, 1989, p. 114; Alain Peyrefitte, A Sociedade de Confiança: Ensaio sobre as origens e a natureza do desenvolvimento, Rio de Janeiro: Topbooks, 1999, p. 344ss.

[9] João Calvino, A Verdadeira Vida Cristã, São Paulo: Novo Século, 2000, p. 77. Contudo: “Como há muitas ocupações que pouco valem para socorrer os homens em seus deleites lícitos, o apóstolo recomenda-lhes que escolham aquelas que tragam benefício a si e a seu próximo. Nem precisamos admirar-nos disso, pois se aquelas classes voluptuosas de ocupações que só podem trazer corrupção eram denunciadas pelos pagãos, dentre eles Cícero, como sendo em extremo vergonhosas, um apóstolo de Cristo as incluiria para que figurassem entre as ocupações lícitas recomendas por Deus” (João Calvino, Efésios, (Ef 4.28), p. 146).

[10] John Calvin, Commentary on a Harmony of the Evangelists, Matthew, Mark, and Luke, Grand Rapids, Michigan: Baker, (Calvin’s Commentaries, v. 16/2), 1981, (Lc 10.38), p. 142,143.

[11] João Calvino, Efésios, (Ef 4.28), p. 146.

[12]John Calvin, Commentaries on the Second Epistle to the Thessalonians, Grand Rapids, Michigan: Baker Book House, (Calvin’s Commentaries, v. 21), 1996 (reprinted), (2Ts 3.10), p. 355.

[13]John Calvin, Commentaries on The First Book of Moses Called Genesis, Grand Rapids, Michigan: Eerdmans Publishing Co., 1996 (Reprinted), v. 1, (Gn 2.15), p. 125.

[14] “A aspereza desta pena é ainda atenuada pela clemência de Deus, de sorte que por entre os labores dos homens há certa alegria misturada, para que não sejam de todo ingratos….” (John Calvin, Commentaries on The First Book of Moses Called Genesis, Grand Rapids, Michigan: Eerdmans Publishing Co., 1996 (Reprinted), v. 1, (Gn 3.17), p. 174).

[15]John Calvin, Commentaries on the Second Epistle to the Thessalonians, Grand Rapids, Michigan: Baker Book House, (Calvin’s Commentaries, v. XXI), 1996 (reprinted), (2Ts 3.10), p. 355.

[16] John Calvin, Sermons on The Epistle to the Ephesians, Carlisle, Pennsylvania: The Banner of Truth Trust 1998 (Reprinted), Sermon 31, Ef 4.26-28, [p. 447-460], p. 458.

[17] John Calvin, Sermons on The Epistle to the Ephesians, Sermon 31, Ef 4.26-28, [p. 447-460], p. 457.

[18]‘Cf. John Calvin, Commentaries on The Four Last Books of Moses, Grand Rapids, Michigan: Eerdmans Publishing Co., 1996 (Reprinted), v. 3, (Êx 20.15), p. 110-111. Vejam-se também: John Calvin, Calvin’s Commentaries, Grand Rapids, Michigan: Baker, 1981 (Reprinted), (v. 12/1), (Ez 18.5-9), p. 219-228; John Calvin, Sermons on The Epistle to the Ephesians, Carlisle, Pennsylvania: The Banner of Truth Trust 1998 (Reprinted), Sermon 31, Ef 4.26-28, [p. 447-460], p. 459-460.

[19] François Turretini, Compêndio de Teologia, São Paulo: Cultura Cristã, 2011, v. 2, p. 161-162.

[20] João Calvino, As Pastorais, São Paulo: Paracletos, 1998 (1Tm 5.18), p. 149.

[21] “O lucro que obtém alguém que empresta seu dinheiro no interesse lícito, sem fazer injúria a quem quer que seja, não está incluído sob o epíteto de usura ilícita. (…) Em suma, uma vez que tenhamos gravada em nossos corações a regra de equidade que Cristo prescreve em Mateus: ‘Portanto, tudo quanto quereis que os homens vos façam, fazei-lhes também o mesmo’ (7.12), não será necessário entrar em longa controvérsia em torno da usura” (João Calvino, O Livro dos Salmos, São Paulo: Paracletos, 1999, v. 1, (Sl 15.5), p. 299). Calvino fazia uma distinção importante entre o “empréstimo de consumo ou de assistência” e o “empréstimo de produção ou de aplicação”. Aquele visava socorrer aos necessitados, sendo improdutivo para o devedor. Este, o devedor, com o seu trabalho poderia adquirir uma ampliação desses recursos. Os juros neste caso seriam legítimos (Veja-se, por exemplo: John Calvin, Calvin’s Commentaries, Grand Rapids, Michigan: Baker Book House Company, 1996 (Reprinted), v. 12, (Ez 18.5-9), p. 225-228; v. 3/1 (Êx 22.25); p. 126-133; (Ez 28.1-9). Inspirado em Calvino, argumenta Turretini: “É justo que aquele que recebe benefício do dinheiro de outro o faça também participante dele, de cujo auxílio ele ganha este benefício, como uma compensação devida” (François Turretini, Compêndio de Teologia, São Paulo: Cultura Cristã, 2011, v. 2, p. 165). Do mesmo modo, escreveu de forma comparativa Marvin Olasky: “Ele entendia que os empréstimos que desenvolvessem um negócio são diferentes dos empréstimos feitos a um homem faminto – e que lucrar no primeiro caso é algo legítimo” (Marvin Olasky, O Roteiro Secular no Teatro de Deus: Calvino sobre o significado cristão da vida pública, In: John Piper; David Mathis, eds. Com Calvino no Teatro de Deus, São Paulo: Cultura Cristã, 2011, p. 87). (Ver: André Biéler, O Pensamento Econômico e Social de Calvino, p. 588; Ronald S. Wallace, Calvino, Genebra e a Reforma, São Paulo: Editora Cultura Cristã, 2003, p. 79-80). Alguns princípios de Calvino a respeito deste tema foram expostos em uma carta (07/11/1545), escrita em resposta às indagações de seu amigo Claude de Sachin. Biéler analisa esta carta e outras passagens nas quais Calvino se posiciona sobre o assunto (Ver: André Biéler, O Pensamento Econômico e Social de Calvino, p. 585ss). Em 1580, Beza, juntamente com outros pastores, opõem-se veementemente à criação de um Banco em Genebra, entendendo que as riquezas trazem consigo implicações indesejáveis, tais como o luxo, frivolidades, amor ao prazer, etc., todas incompatíveis com Genebra, que deseja preservar a já conhecida moderação dos costumes (Ver: André Biéler, O Pensamento Econômico e Social de Calvino, p. 239-240; 663 (nota 1636); André Biéler, O Humanismo Social de Calvino, São Paulo: Edições Oikoumene, 1970, p. 66-67; André Biéler, A Força Oculta dos Protestantes, São Paulo: Editora Cultura Cristã, 1999, especialmente, p. 132-134; R.H. Tawney, A Religião e o Surgimento do Capitalismo, São Paulo: Editora Perspectiva, 1971, p. 124). Quanto às lutas de Genebra lideradas por Beza quanto à prática de juros extorsivos, trapaça nos negócios (tecelão que vende o tecido com uma polegada mais estreita) e preços exorbitantes (alfaiates e dentistas que cobram preços muito elevados pelos seus serviços), vejam-se: Eugène Choisy, L’ État Chrétien Calviniste a Genève au Temps de Théodore de Bèze, Genève: Ch. Eggimann & Cie Éditeurs, [s.d.], especialmente, p. 436ss. Ainda que Choisy tenha muitas informações importantes, sendo elogiado por Tawney que confessa sua dívida para com ele (R.H. Tawney, A Religião e o Surgimento do Capitalismo, São Paulo: Editora Perspectiva, 1971, p. 122), Biéler, com razão, faz críticas recorrentes a algumas de suas interpretações (Ver: André Biéler, O Pensamento Econômico e Social de Calvino, São Paulo: Casa Editora Presbiteriana, 1990, como por exemplo, na página 185).

A história da igreja registra opiniões diferentes e divergentes a respeito do assunto, ainda que sustentando princípios semelhantes, como o do “justo preço” (Aquino [1225-1274], Escoto  [c. 1266-1308]  e Pedro de Olivi [c. 1248-1298]) e do socorro aos menos favorecidos, as posições variavam.

Tomás de Aquino (1225-1274), mesmo defendendo o direito de propriedade, admite a possibilidade do roubo em caso de penúria extrema. (“Ora, sendo muitos os que padecem necessidades, e não podendo uma mesma coisa socorrer a todos, ao arbítrio de cada um é cometido dispensar os bens próprios para assim obviar aos necessitados. Contudo, se a necessidade for de tal modo evidente e imperiosa que seja indubitável o dever de obviá-la com as coisas ao nosso alcance – por exemplo, quando corremos perigo iminente de morte e não é possível salvarmo-nos de outro modo – então podemos licitamente satisfazer à nossa necessidade com as coisas alheias, apoderando-nos delas manifesta ou ocultamente. Nem tal ato tem propriamente a natureza de furto ou rapina” (S. Tomás de Aquino, Suma Teológica, IIa. 2.66, a.7) (Disponível: https://sumateologica.files.wordpress.com/2017/04/suma-teolc3b3gica.pdf) (Consulta feita em 12.02.2024).

[22]Essa posição nunca foi unânime. Mesmo a igreja romana condenando o lucro,  a sua prática não se harmonizava com a sua teoria, sendo ela mesma, extremamente rica.

“O empréstimo a juros (…) sempre foi proibido ao clero; a Igreja conseguiu, a partir do século IX, que se tornasse proibida também aos leigos, e reservou o castigo desse delito à jurisdição de seus tribunais” (H. Pirenne, História Econômica e Social da Idade Média, p. 19).

Pirenne (1862-1935) continua:

“É evidente que a teoria dista muito da prática: os próprios mosteiros, amiúde, infringiram os preceitos da Igreja. Não obstante, esta impregnou tão profundamente o mundo com seu espírito, que serão necessários vários séculos para que se admitam as novas práticas que o renascimento econômico do futuro exigirá, e para que se aceitem, sem reservas mentais, a legitimidade dos lucros comerciais, da valorização do capital e dos empréstimos com juros” (H. Pirenne, História Econômica e Social da Idade Média, p. 19-20). (Veja-se uma anedota bastante ilustrativa do conflito da Igreja, In: Pirenne, História Econômica e Social da Idade Média, p. 32-33). Aldo Janotti, comentando a respeito da superioridade intelectual e riqueza da Igreja romana na Idade Média, observa que:

“A preponderância econômica se manifestava tanto por meio da riqueza agrária quanto da monetária: possuía a Igreja inúmeros domínios, superiores em extensão aos da aristocracia laica, como também em organização, pois só ela tinha homens habilitados para estabelecer polípticos, ter registros de contas, calcular entradas e saídas e, por consequência, poder equilibrá-las” (Aldo Janotti, Origens da Universidade: A Singularidade do Caso Português, 2. ed. São Paulo: Editora da Universidade de São Paulo, 1992, p. 31).

Curiosamente, os maiores defensores dos mercadores – associados no imaginário eclesiástico à usura (Vejam-se: Jacques Le Goff, A Bolsa e a Vida: A Usura na Idade Média, 2. ed. São Paulo: Brasiliense, 1989, p. 17ss.; Jacques Le Goff, Mercadores e Banqueiros da Idade Média, São Paulo: Martins Fontes, 1991, p. 73ss.) –, foram as Ordens Mendicantes (franciscanos e dominicanos), constituindo-se no século XIII, “nos instrumentos de justificação ideológica e religiosa do mercador” (Jacques Le Goff, Mercadores e Banqueiros da Idade Média, p. 98). Notemos que os membros dessas Ordens – tão defensoras dos interesses papais –, em geral eram provenientes de famílias abastadas, muitos, de famílias de mercadores. (Cf. Jacques Le Goff, Mercadores e Banqueiros da Idade Média, p. 98).

Para a questão da prática dos juros na Idade Média, especialmente estimulada entre os judeus, vejam-se: Jerry Z. Muller, Os Judeus e o Capitalismo Mundial: o que explica o sucesso judaico nas sociedades capitalistas? São Paulo: Editora Saraiva, 2011; Jacques Attali, Os Judeus, o Dinheiro e o Mundo. 5. ed. São Paulo: Futura, 2005; Jacques Le Goff, A Bolsa e a Vida: A Usura na Idade Média, 2. ed. São Paulo: Brasiliense, 1989; Léon Poliakon, De Cristo aos Judeus da Corte, São Paulo: Editora Perspectiva, 1979, especialmente, p. 61ss. Para uma história mais panorâmica incluindo as relações da Igreja com os usurários e as suas incoerências, bem como a situação e valores dos mercadores envolvendo a sua religião e seus fantasmas ‒ como escreve Le Goff: “Eis o grande combate do usurário entre a riqueza e o Paraíso, o dinheiro e o Inferno” (Jacques Le Goff, A Bolsa e a Vida: A Usura na Idade Média, 2. ed. São Paulo: Brasiliense, 1989, p. 15), vejam-se: André Biéler, O Pensamento Econômico e Social de Calvino, p. 237ss.; Jack Mclver Weatherford, A História do Dinheiro: do arenito ao cyberspace, São Paulo: Negócio Editora, 2000; Jacques Le Goff, A Bolsa e a Vida: A Usura na Idade Média, 2. ed. São Paulo: Brasiliense, 1989; Jacques Le Goff, Mercadores e Banqueiros da Idade Média, São Paulo: Martins Fontes, 1991; Jacques Le Goff, Para um Novo Conceito de Idade Média, Lisboa: Editorial Estampa, 1980, p. 43-73; Philippe Wolff, Outono da Idade Média ou Primavera dos Tempos Modernos?, Lisboa: Edições 70 (1988); Aron J. Gurevic, O Mercador: In: Jacques Le Goff, dir. O Homem Medieval, Lisboa: Editorial Presença, 1989, p. 165-189; H. Pirenne, História Econômica e Social da Idade Média, 6. ed. São Paulo: Mestre Jou, 1982; Georges Duby, Economia Rural e Vida no Campo no Ocidente Medieval, Lisboa: Edições 70, (1987-1988), 2 Vols.; Pierre Monnet, Mercadores: In: Jacques Le Goff; Jean-Claude Schmitt, coords. Dicionário Temático do Ocidente Medieval, Bauru, SP/São Paulo: Editora da Universidade Sagrado Coração/Imprensa Oficial do Estado, 2002, v. 2, p. 183-196; R.H. Tawney, A Religião e o Surgimento do Capitalismo, São Paulo: Editora Perspectiva, 1971, p. 31-77. Quanto à acusação apaixonada de Pascal contra a igreja católica, especialmente na França, de praticar a usura valendo-se de subterfúgios, veja-se: Blaise Pascal, Las Cartas Provinciales, Buenos Aires: Librería “El Ateneo” Editorial, (1948), especialmente a Carta 8, p. 589ss. Para uma visão da concepção e prática em Portugal, ver: José Calvet de Magalhães, História do Pensamento Econômico em Portugal: da Idade-Média ao Mercantilismo. Coimbra: Coimbra Editora, 1967, 537p.

[23] Cf. Frans Van Deursen, Los Salmos, Países Bajos: Fundacion Editorial de Literatura Reformada, 1996, v. 1, p. 173.

[24] Cf. Robin Wakely, nsk: In: Willem A. VanGemeren, org. Novo Dicionário Internacional de Teologia e Exegese do Antigo Testamento, São Paulo: Cultura Cristã, 2011, v. 3, p. 190.

[25]Aliás, inclino-me a considerar uma mera especulação a associação feita com frequência deste salmo com as indagações do adorador ao sacerdote antes de adentrar ao lugar sagrado. (Vejam-se, por exemplo: Peter C. Craigie, Psalms 1-50, 2. ed. Waco: Thomas Nelson, Inc. (Word Biblical Commentary, v. 19), 2004, (Sl 15), p. 150; James M. Boice, Psalms: an expositional commentary, Grand Rapids, MI.: Baker Book House, 1994, v. 1, (Sl 15), (notas) p. 368-369).

[26]“Claro que essas características não criam cidadãos do Reino, mas são necessárias para a manutenção da boa postura diante do Senhor” (Eugene H. Merrill, Teologia do Antigo Testamento, São Paulo: Shedd Publicações, 2009, p. 560).

[27]Cf. James M. Boice, Psalms: an expositional commentary, Grand Rapids, MI.: Baker Book House, 1994, v. 1, (Sl 15), p. 122.

[28]Cf. Derek Kidner, Salmos 1-72: introdução e comentário, São Paulo: Vida Nova/Mundo Cristão, 1980, v. 1, p. 97. “O primeiro fato que nos chama a atenção é que num cântico destinado ao culto não se faz nenhuma menção de coisas cúlticas, como sacrifícios, ofertas, ritos de purificação, mas só de exigências morais. Toda a ênfase recai nesses requisitos. É da essência do culto da aliança que a ‘obediência’ é mais importante que os sacrifícios” (Artur Weiser, Os Salmos, São Paulo: Paulus, 1994, p. 118). Uma hipótese comum, obviamente não conclusiva, é de que este Salmo teria sido escrito por Davi quando trouxe com alegria a Arca da Aliança para Jerusalém (2Sm 6.12ss; 1Cr 15.25-16.6). (Vejam-se, entre outros: Ernst W. Hengstenberg; John Thomson, Commentary on the Psalms, Tennessee: General Books, © 1846, 2010 (Reprinted), v. 1, (Sl 15), p. 149; W.S. Plumer, Psalms, Carlisle, Pennsylvania: The Banner of Truth Trust, © 1867, 1975 (Reprinted), (Sl 15), p. 199; C.F. Keil; F. Delitzsch, Commentary on the Old Testament, Grand Rapids, MI: Eerdmans, (1871), v. 5, (I/III), (Sl 15), p. 210-211; E. Calvín Beísner, Psalms of Promise: Celebrating the Majesty and Faithfulness of God, 2. ed. Phillipsburg, NJ.: P. & R. Publishing, 1994, p. 143-144; Allan Harman, Comentário do Antigo Testamento ‒ Salmos, São Paulo: Cultura Cristã, 2011, (Sl 15), p. 107).

[29]Artur Weiser, Os Salmos, São Paulo: Paulus, 1994, p. 118. Uma hipótese comum, obviamente não conclusiva, é de que este Salmo teria sido escrito por Davi quando trouxe com alegria a Arca da Aliança para Jerusalém (2Sm 6.12ss; 1Cr 15.25-16.6). (Vejam-se, entre outros: Ernst W. Hengstenberg; John Thomson, Commentary on the Psalms, Tennessee: General Books, © 1846, 2010 (Reprinted), v. 1, (Sl 15), p. 149; W.S. Plumer, Psalms, Carlisle, Pennsylvania: The Banner of Truth Trust, © 1867, 1975 (Reprinted), (Sl 15), p. 199; C.F. Keil; F. Delitzsch, Commentary on the Old Testament, Grand Rapids, MI: Eerdmans, (1871), v. 5, (I/III), (Sl 15), p. 210-211; E. Calvín Beísner, Psalms of Promise: Celebrating the Majesty and Faithfulness of God, 2. ed. Phillipsburg, NJ.: P. & R. Publishing, 1994, p. 143-144; Allan Harman, Comentário do Antigo Testamento ‒ Salmos, São Paulo: Cultura Cristã, 2011, (Sl 15), p. 107).

[30] Gn 49.17; Nm 21.6,8,9; Pv 23.32; Ec 10.8,11; Jr 8.17; Am 5.19; 9.13.

[31]“Assim diz o Senhor acerca dos profetas que fazem errar o meu povo e que clamam: Paz, quando têm o que mastigar (%v,n<)(neshek), mas apregoam guerra santa contra aqueles que nada lhes metem na boca” (Mq 3.5).

[32] “A usura é a arrecadação de juros por um emprestador nas operações que não devem dar lugar ao juro” (Jacques Le Goff, A Bolsa e a Vida: A Usura na Idade Média, 2. ed. São Paulo: Brasiliense, 1989, p. 18).

[33] Cf. Walter P. Gorman III, Crédito: In: Carl Henry, org. Dicionário de Ética Cristã, São Paulo: Cultura Cristã, 2007, p. 146. Da mesma forma: J. Barton Payne, Usura: In: Ibidem, p. 591. “A razão para a proibição é que, presumivelmente, o pobre pedira dinheiro emprestado na hora da necessidade. O empréstimo é considerado assistência ao próximo, e tomar-lhe dinheiro na hora da necessidade seria um ato imoral” (R. Alan Cole, Êxodo: introdução e comentário, São Paulo: Vida Nova; Mundo Cristão, [1979], (Êx 22.25), p. 169).

[34] Robin Wakely, ns’: In: Willem A. VanGemeren, org., Novo Dicionário Internacional de Teologia e Exegese do Antigo Testamento, São Paulo: Cultura Cristã, 2011, v. 3, p. 178.

[35]  No século XII, teólogos cristãos concluíram que a palavra “irmão” aplicava-se a todos os homens. Deste modo, consideraram que o empréstimo de dinheiro com juros é sempre um ato pecaminoso. (Cf. Jerry Z. Muller, Os Judeus e o Capitalismo Mundial: o que explica o sucesso judaico nas sociedades capitalistas?, São Paulo: Editora Saraiva, 2011, p. 34).

[36] Cf. G.L. Archer, Juros: In: M.C. Tenney, org. ger. Enciclopédia da Bíblia, São Paulo: Cultura Cristã, 2008., v. 3, p. 806; John W. Baigent, Salmos (1-72). In: F.F. Bruce, ed. ger. Comentário Bíblico NVI: Antigo e Novo Testamento, São Paulo: Vida Nova, 2009, (Sl 15), p. 777; R. de Vaux, Instituições de Israel no Antigo Testamento, São Paulo: Editora Teológica; Paulus, 1993, p. 207. Na Idade Média, os judeus praticavam taxas de juros anuais que podiam variar entre 33 e 60 por cento ao ano (Cf. Jerry Z. Muller, Os Judeus e o Capitalismo Mundial: o que explica o sucesso judaico nas sociedades capitalistas?, São Paulo: Editora Saraiva, 2011, p. 38).

[37] Cf. E.A. Speiser, Oriental and Biblical Studies: Collected Writings of E. A. Speiser, edited by J.J. Finkelstein and Moshe Greenberg, Philadelphia: University of Pennsylvania Press, 1967, p. 131-135; 140-141; R. Laird Harris, Nashak: In: R. Laird Harris, et. al., eds. Dicionário Internacional de Teologia do Antigo Testamento, São Paulo: Vida Nova, 1998, p. 1011.

[38]  “Restituí-lhes hoje, vos peço, as suas terras, as suas vinhas, os seus olivais e as suas casas, como também o centésimo do dinheiro, do trigo, do vinho e do azeite, que exigistes deles” (Ne 5.11).

[39] Vejam-se: Derek Kidner, Esdras e Neemias: introdução e comentário, São Paulo: Vida Nova/Mundo Cristão, 1985, (Ne 5.11), p. 106; R. de Vaux, Instituições de Israel no Antigo Testamento, São Paulo: Editora Teológica/Paulus, 1993, p. 207.

[40]  A palavra sugere juros exorbitantes (Veja-se: William White, Raba: In: R. Laird Harris, et. al., eds. Dicionário Internacional de Teologia do Antigo Testamento, São Paulo: Vida Nova, 1998, especialmente, p. 1394).

[41]  Esta palavra seria usada no século XIX por Karl Marx para identificar os judeus como prontos para regatearem, barganharem, fazerem qualquer negócio (Veja-se: Jerry Z. Muller, Os Judeus e o Capitalismo Mundial: o que explica o sucesso judaico nas sociedades capitalistas?, São Paulo: Editora Saraiva, 2011, p. 51-52). É muito instrutiva a obra de John T. Noonan, Jr, Subornos, Rio de Janeiro: Editora Bertrand Brasil, 1989. Para os nossos propósitos, destaco a leitura do tópico, ainda que não exclusivamente, “A Moral dos Cristãos”, p. 73-109.

[42] Veja-se: Milton C. Fisher, Nasha: In: R. Laird Harris, et. al., eds. Dicionário Internacional de Teologia do Antigo Testamento, São Paulo: Vida Nova, 1998, p. 1007-1010.

[43] E.A. Speiser, Oriental and Biblical Studies: Collected Writings of E. A. Speiser, edited by J.J. Finkelstein and Moshe Greenberg, Philadelphia: University of Pennsylvania Press, 1967, p. 140.

[44] Milton C. Fisher, Nasha: In: R. Laird Harris, et. al., eds. Dicionário Internacional de Teologia do Antigo Testamento, São Paulo: Vida Nova, 1998, p. 1008.

[45]João Calvino, O Livro dos Salmos, v. 1, (Sl 15.5), p. 297-298. Calvino repete este argumento em texto já indicado (Calvin’s Commentaries, v. 12, (Ez 18.5-9), p. 225-228). Este mesmo conceito é encontrado posteriormente em Turretini (François Turretini, Compêndio de Teologia, São Paulo: Cultura Cristã, 2011, v. 2, p. 164).

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